educando nativos digitais

•Dezembro 4, 2007 • Deixe um comentário

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Se você se lembra do mundo antes da internet tenho uma má notícia para lhe dar: por mais que se esforce, você sempre será um imigrante digital, alguém que se acostumou à cultura digital. Ao contrário do imigrante, o nativo lida com tecnologia e seus desdobramentos desde o início de sua vida. Ainda em dúvida se você é imigrante ou nativo? Leia livros como Neuromancer de William Gibson e Snow Crash de Neal Stephenson (o homem que 1992 cunhou o termo metaverso) Se você nunca imaginou um mundo como o descrito por esses livros é provável que você seja um imigrante mesmo.

Os pais, professores e as pessoas mais velhas se perguntam como os jovens conseguem ver tv, ouvir música e fuçar na internet ao mesmo tempo. A razão é simples: eles pensam em paralelo, enquanto quem foi criado na era do papel, pensa linearmente. As conseqüências mais evidentes desse fenômeno se refletem na escola, o reino dos professores-imigrantes.

As formas de aprender ainda seguem o exemplo acadêmico que vem desde a Grécia Antiga, com professor despejando seus conhecimentos e seus alunos anotando tudo. Em seu livro Cibercultura, o filósofo francês Pierre Lévy diz que (interpretação minha) esse modelo é massante e desinteressante para aqueles que aprendem o que é uma narrativa jogando videogames e que ao contrário dos seus mestres não imprimem e-mails ou ligam para saber se o destinatário os recebeu. A academia precisa perceber que seu papel nesse novo mundo é servir de farol em meio ao mar informacional. Ela deve ser um dos pontos de conexão entre o mundo real e o digital e sair da forma enciclopédica de conhecimento. Não será uma perda de prestígio pois de qualquer forma o conhecimento continuará sendo produzido lá, só que de forma aberta e colaborativa de acordo com os novos tempos.

Essa teoria toda acima é baseada no que acredita o educador Marc Prensky e parece explicar muito bem vários dos problemas que temos em relação à educação em nosso país. O universo digital daqui ainda não atingiu massa crítica suficiente para mudar o paradigma do ensino. Dessa forma, a crescente quantidade de nativos digitais está relativamente orfã nas questões de educacionais.

Exemplos práticos?
Quem já ouviu falar em aulas de geografia e geopolítica no Google Earth? O aulas de biologia em ambientes tridimensionais no metaverso?

Apenas esses dois exemplos mostram que, além das ferramentas (que em parte já estarem disponíveis) será preciso mudar os educadores-imigrantes para que estes tornem os conteúdos pedagógicos mais atraentes para essa geração. Talvez daqui uma década ou duas, quando alguns nativos estiverem prontos para serem professores, essa situação possa ser mudada e alunos e mestres possam voltar a falar a mesma linguagem, seja ela qual for.

a prisão da modernidade

•Dezembro 4, 2007 • Deixe um comentário

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Os avanços tecnológicos moldam e condicionam as pessoas ao consumo, eles são a mola propulsora que faz girar a roda que mantém o sistema capitalista vivo. Dessa forma, é uma tendência de nossos tempos a diversidade de escolhas, na qual um único indivíduo participa ao mesmo tempo de vários grupos e consome diversas mercadorias que delimitam sua personalidade, seja no trabalho, na escola, na balada, na academia, etc. Ou seja, as mercadorias caracterizam e exteriorizam a personalidade do sujeito moderno.

Há muito se discute a desilusão da humanidade com os avanços técnicos e científicos, principalmente após a Segunda Guerra Mundial e os abusos cometidos pela esquerda socialista nas primeiras décadas do século passado. Daí é possível pensar que apesar dos avanços, a tecnologia não foi capaz de solucionar as mazelas da sociedade moderna. É a descrença após o sonho positivista.

Mas não é isso o que a publicidade mostra. Ela intensifica a cultura do consumo, como um processo compulsivo necessário à felicidade humana. O marketing consegue subverter aspectos negativos que a modernidade trouxe à vida cotidiana. Há vários exemplos, mas pegando apenas o celular, percebemos o quanto esses aparelhos revolucionaram para melhor e pior o ambiente de trabalho.

Na sociedade do controle, o trabalhador se sente mais pressionado, o chefe pode ligar a qualquer hora do dia ou da noite. Outros utilizam o telefone para descobrir onde as pessoas estão e isto ocorre principalmente em relações amorosas ou entre pais e filhos. Tantos objetos, como o celular e o computador, que pretendem facilitar a vida das pessoas, trouxeram mais stress, maior volume de trabalho (principalmente fora do expediente) e menor qualidade de vida.

Para exemplificar como a publicidade se esquece de mostrar aspectos negativos da tecnologia, o novo comercial da Claro mostra como a ficção antecipou alguns mecanismos modernos de comunicação utilizados em desenhos como Flash Gordon, Os Jetsons e Johnny Quest. Pena que não utilizaram imagens de Tempos Modernos, de Chaplin, para mostrar, de uma forma mais crítica, que as inovações tecnológicas também interferem negativamente em nossas vidas.

As pessoas não são obrigadas a consumir. Mas essa necessidade de acompanhar o novo tem aprisionado cada vez mais o individuo, seja ele na frente do computador, com seu Ipod, trabalhando em um ritmo muito mais acelerado e sempre com impressão de que faltará tempo. Assim, as pessoas optam por caminhar junto à tecnologia com a ilusão de obter facilidades, como ganhar tempo e conforto, quando na verdade estão cada vez mais presas a um ritmo frenético de vida.

som na caixa ou embalos de uma balada silenciosa

•Dezembro 4, 2007 • Deixe um comentário

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Cinco horas da tarde e o celular recebe uma mensagem: “Dance como nunca dançou antes”. Uma semana depois, a Victoria Station, estação do metrô de Londres, estava tomada por mais de 4 mil pessoas. A contagem regressiva deu início a uma balada em lugar público e- o mais interessante- sem música ambiente.

Durante quase duas horas, sim pois o pacífico evento foi controlado pela chegada da polícia, as milhares de pessoas dançaram, cada uma ao som de sua música preferida. Roupas, cabelos, acessórios, tudo misturado. Diferentes tribos urbanas, que curtem espaços e sons diferentes se encontraram.

O exótico movimento é uma interessante forma de pensar a sociedade. As flash mobs são manifestações de caráter espontâneo e quase instantâneas, que surgiram em 2003 nos EUA. Em geral, a mobilização e promoção do chamado “evento” acontece por meio da internet ou pelas mensagens via celular. A apropriação destas duas formas de comunicação recentes permite a troca de informação de maneira rápida e global, ou seja, permite que diferentes locais do mundo estejam em conexão e combinando uma mesma atividade. Além disso, brinca com o conceito da balada e, dependendo dos olhos, o acontecimento pode assumir um caráter crítico.

As baladas são formas de sociabilidade. Pessoas se encontram em busca de entretenimento, prazer, de pares comuns, bebidas e música. Aliás, esta última fica por último, em muitos casos, já que é só o complemento e o que permite todo o resto. E é aqui que entra a ironia desta flash mob. A estação de trem londrina foi o palco de um encontro que geralmente ocorre entre quatro paredes fechadas. A música não era ambiente, coletiva. Não foi um mesmo estilo musical que atraiu tantas pessoas. E se fosse também, não teria diferença. Nas navegações dentro desta imensidão virtual, foi fácil encontrar uma balada, esta sim com ambiente escuro e cheio de luzes, de Ipods, comandada por um mesmo hit. Na caixa (a pequeninha que cabe no bolso), rolando um Nirvana. A música é identificada pela cantoria do pessoal. O que diria disso o próprio Kurt? Fica a dúvida.

O Ipod é uma ferramenta boa, mas que carrega uma forte carga de individualismo. Afinal, cada um escolhe a sua playlist, cada um escolhe a hora de ouvir a música, cada um fica com seu fone de ouvido. E o mundo continua acontecendo fora da bolha musical.

em tempos de internet, a música se transforma?

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um comentário

“Nossa música é uma manifestação de arte”
Rodamundo

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Qual rumo a música toma quando a estrutura das 12 canções de um CD ou LP se torna ultrapassada e as pessoas baixam somente as canções que gostam pela internet?

Há pelo menos 40 anos, tudo o que foi produzido e vendido com relação a música no Brasil e no mundo passava pela peneira das grandes gravadoras. Essas empresas que vêem música como a matéria prima de sua indústria, são obrigadas a se reestruturem, já que as novas tecnologias permitem gravação, produção, difusão e até mesmo distribuição sem grandes gastos para os músicos.

Em 1995, dois anos após a popularização do CD no Brasil, as grandes gravadoras venderam a mesma quantidade em unidades de CD que em 1989 de LP e fitas cassetes, mas o lucro neste ano foi três vezes maior. Ou seja, o CD supervalorizou o mercado musical de forma que em apenas seis anos, ficou três vezes mais caro ter um álbum. A tecnologia deveria baratear o custo de produção, mas essa vantagem não foi repassada para o consumidor naquela época. Hoje, paradoxalmente, com a internet, algumas canções podem ser conseguidas gratuitamente.

Até que ponto, mesmo com a desestruturalização e aparente democracia que a internet traz, o mesmo tipo de música continua sendo apreciado? É no mesmo tipo de música que há investimentos das gravadoras que na verdade se transformaram em grandes empresas de marketing. Estas divulgam os artistas em trilhas de filmes, novelas e propagandas impulsionando e lucrando em cima da popularidade de suas estrelas. A música continuaria assim como produto de consumo virtual e ideológico perdendo seu viés artístico, cultural, regional para se tornar um produto global.

A revista Época, realizou o concurso Mente Aberta com a proposta de apresentar as novas bandas do cenário independente e gerar publicidade sobre si e o evento que foi realizado. Por meio da internet, era possível assistir a vídeos das bandas pré-selecionadas e votar na preferida. O concurso elegeu a vencedora, por júri popular – a banda Rodamundo que ganhou três dias de gravação em estúdio. O quinteto participou da competição com a música “Teu Cais”, uma canção contemporânea com pitadas de jazz e bossa nova.

Karina Kaufmann, vocalista da banda vencedora, concedeu uma entrevista ao Memexx, falou sobre a música contemporânea e como suas canções se propõem a ser arte representativa e não somente um produto no mercado cultural. O produtor Carlos Eduardo Miranda integrante da banca do júri do festival, comemora o fato de os internautas terem valorizado algo que transcende o lugar-comum. Karina pretende utilizar a tecnologia a seu favor e assim como Lobão e o Radiohead, disponibilizar suas músicas pela internet.

O que é a música pra você?
Karina Kaufmann – Sem música, a vida seria um erro! É o que já dizia Nietzche, um grande filósofo alemão do século XIX que eu admiro muito, inclusive pela sua capacidade de transcendência e de quebrar padrões intelectuais e religiosos, além de ser um grande poeta e apreciador da música. A música é o lirismo da vida. Acho impressionante a capacidade que a música tem de elevar o espírito do ser humano, de se comunicar através de uma língua universal e estar presente em todas as idades. Acredito, inclusive, que a música surge de uma necessidade biológica do homem de se expressar e se comunicar.

Qual tipo de música vocês fazem?
Karina – Musica brasileira. Mas digo com uma visão mais ampla, não aquela MPB classificada nas prateleiras das lojas. Desta história toda entendemos que o Rodamundo faz parte da nova tendência: a música contemporânea brasileira.

Quais são as influências da banda?
Karina – A banda é composta por músicos que tem influências musicais variadas. Temos influências do rock dos anos 70, da música negra americana dos anos 60/70 como jazz, blues, soul; de músicas africanas e étnicas do mundo. Além de muita música brasileira como Bossa Nova, Caetano, Gil, Chico Buarque, Elis, rock nacional e as atuais de Marisa Monte, Lenine, Nação Zumbi, Fernanda Porto, Pato Fu, Céu, Otto, entre outras.

Em que ponto a música de vocês representa a cultura brasileira?
Karina – Na diversidade dos sons e multiculturalismo. Por sermos um povo miscigenado, o nosso som representa uma parte disso. Fazemos músicas que abordam os sentimentos universais, desde o dia-a-dia de um cidadão brasileiro na grande metrópole, até as crenças regionais e religiosas que existem no Brasil.

Em que lugar está o Rodamundo neste contexto? Cria algum estilo de vida?
Karina – É difícil eu mesma situar se a nossa forma de fazer música e de nos expressarmos traz uma mudança comportamental em alguém. Em nós mesmos já faz diferença porque é uma forma sincera de dizer como vemos e percebemos o mundo em que vivemos de certa forma. Na verdade vou descobrir com o público o que minhas músicas realmente transmitem. A história de um artista não se faz sem a platéia.

Na sua opinião, a música se coloca como indústria de consumo na sociedade?
Karina – Na minha opinião, o mundo moderno transformou a música em objeto de consumo. O século XX, com a Revolução Industrial trouxe também a indústria cultural, como foi denominado na escola de Frankfurt. Mas como no cinema, a música surgiu como uma manifestação artística, uma forma lírica, lúdica e transcendente de expressão. Eu ainda acredito nesta essência e não vejo a música só como algo consumível, porque um produto é consumido e acaba, desaparece um dia. A boa música não.

Para saber mais:
www.festivalmenteaberta.com.br

de como as máquinas vão virando gente

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um comentário

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Na era da personalização, em que os gigantes copos de café, e até as aparentemente inofensivas saladas chegam até nós, não por um número (é coisa do passado), mas pelo nosso próprio nome, por que não a personalização das máquinas? Como se fossem uma extensão do nosso corpo e da personalidade, os celulares se transformavam com a simples alteração da capinha. Lançaram versões coloridas também dos mp3/mp4, o que obviamente foi insuficiente para destacá-los da multidão de players . Recém-lançado no mercado, o Zune (versão Microsoft do Ipod) levou realmente a sério a idéia. Com 18 designers contratados, o consumidor pode escolher a figura e dar a sua cara para o aparelho. Boa tentativa de mascarar a mercadoria, que não tem vida própria, mas carrega um “ar de humanidade”, afinal cada um vai ter sua característica individualizada, assim como a natureza nos faz. Se a moda pega, celular também vai querer ser gente. Imagine quanta criatividade para alimentar os desejos de tantos consumidores.

aparelhos que fazem até ligações

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um comentário

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Com os novos celulares é possível tirar fotos, mandar mensagens, ouvir rádio FM e músicas em formato mp3, acessar a internet e, claro, fazer ligações. Não é novidade para ninguém que os avanços tecnológicos vêm revolucionando a comunicação. E em curtos espaços de tempo aparelhos com as mais diversas funções vão aparecendo nas lojas. Tornando-se indispensáveis à vida moderna. Há quem diga que sem eles é impossível viver, trabalhar, namorar, etc.

Brincadeiras à parte, o fato é que a interconectividade e a convergência de mídias vêm alterando a comunicação entre as pessoas. Como conseqüência disto, podemos levantar algumas características de como essas novas invenções vêm mudando o comportamento, as formas de pertencimento e também o apego às coisas. Além do mais, o celular pode ser um bom exemplo para explicar a “descartabilidade” dos objetos e a cultura do consumo.

Afinal, possuir o celular “top”, último lançamento do mercado, pode, para algumas pessoas, conferir status, poder e quem sabe até um ar de sofisticação. Mas isso só até o lançamento do próximo modelo. Compre seu celular de última geração, mas saiba que provavelmente em menos de seis meses outra pessoa irá adquirir o mesmo modelo por um preço bem menor. Ou pior, haverá vários modelos com mais recursos que o seu. Se preferir, troque de aparelhos todos os anos. Afinal de contas, estamos na “sociedade do lixo”, da “descartabilidade”. Na qual, tudo perde seu valor muito rapidamente e logo precisa ser trocado, descartado.

Há vários modelos, para diversos gostos. Existem os celulares coloridos, com designers mais sérios, outros tradicionais… O que não pode é você não ter um. Afinal têm de todos os preços, pré e pós-pagos. É assim que a publicidade convence. Ela já não vende produtos, mas signos. Cada vez mais, os comercias buscam atrair os consumidores atrelando suas mercadorias a estilos de vida, pertencimentos, situações cotidianas e afetivas que estão presentes no imaginário das pessoas. Há a ilusão de que o consumo pode solucionar as angústias e sofrimentos das pessoas. Estilos de vida também podem ser definidos pelas mercadorias adquiridas. Tudo é uma questão de escolha, já dizia Bauman.

Mas nem só de pontos negativos vive o celular. Ele facilitou em muitos aspectos a vida moderna, com esse aparelhinho você localiza e é localizado, acessa a net, recebe e envia e-mails, tem informações sobre o trânsito, vê TV, pode até conseguir um namorado (com a nova tecnologia Bluetooth) e, quase esquecendo, fazer ligações.

militância cibernética

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um comentário

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A tecnologia geralmente está vinculada aos “gadgets”, tranqueiras eletrônicas lançadas em grande escala e consumidas avidamente. Uma infinidade de máquinas, das quais somos dependentes, mas sem as quais viveríamos tranquilamente. No entanto, muitos esquecem que a tecnologia e política também andam juntas.

Jornais, panfletos, rádios e manifestações culturais, como grafites e teatros foram utilizados por muito tempo para ações sociais. No entanto, a possibilidade de circular informações no meio imaterial sem, necessariamente, a mediação das corporações monopolistas e agências de notícias e a multiplicação de computadores com acesso fácil a internet, permitiu o surgimento de novas formas de atividade – e militância – política. Para quem não sabe: Seattle, EUA, 1999, o movimento contra a Organização Internacional do Comércio. Dali para frente, a internet se tornou um novo suporte para o que ficou conhecido naquela época como midiativismo.

Para John Downing, o termo mídia radical refere-se à “mídia – em geral de pequena escala e sob muitas formas diferentes – que expressa uma visão alternativa às políticas, prioridades e perspectivas hegemônicas”. Neste sentido, os Centros de Mídia Independente são uma poderosa ferramenta. A atividade do Exército Zapatista Nacional (EZLN), cujo porta-voz é o Comandante Marcos, foi o maior e melhor exemplo disso. Organização social, ausência de lideranças, novas maneiras de divulgação da informação e confluência de mídias. No ano passado, os inssurgentes de Oxaca também aproveitaram os blogs e sites para divulgar manifestos, rádios, fotos e vídeos. Aqui no Brasil, o movimento estudantil absorveu bem a idéia, como nas ocupações das reitorias da USP, e na mais recente, pelos estudantes da PUC-SP, apresentando o movimento, motivos, causas e denunciando ataques recebidos.

Política também se faz, e muito bem feita, pela internet. E por que não? A internet é uma rede e, portanto, permite a construção de informações sem hierarquia, em sentido horizontal, por todos os usuários indistintamente. Da utilização do ciberespaço como novo suporte, surge uma nova percepção da realidade. Transforma-se também a relação homem e tecnologia, em especial com a alteração da mediação do corpo, já que a atividade política não exige mais apenas a presença física, mas uma atualização virtual da realidade. Relembrar o passado e pensar no futuro é uma boa forma de alterar a esfera pública de luta pelos direitos sociais e de dar uma dimensão ainda maior para esta ferramenta que permite a você a leitura deste texto. As ações do EZLN continuam atualizadíssimas no site, vale a pena conferir.

a era da comunicação com a internet

•Dezembro 3, 2007 • Deixe um comentário

É inegável que a tecnologia caminha junto com os interesses capitalistas. Os transportes, as linhas de produção, os artefatos de guerra, entre eles a bomba atômica e finalmente os computadores são alguns indícios dessa relação. Mas, a tecnologia acaba por propiciar fenômenos que fogem ao controle do sistema. Da mesma forma que no século 15 a tipografia foi um marco na difusão de informações na sociedade, graças à possibilidade de produção de livros em massa, hoje, a internet novamente revoluciona, democratizando ainda mais o acesso a informação e subvertendo a relação fixa de consumidores e produtores.

Na rede, é possível produzir e distribuir toda forma de produção cultural, da informação ao entretenimento, bem como acessá-los de forma gratuita. Essa liberdade conquistada por meio de uma produção cultural descentralizada e diversificada, também provoca uma nova relação entre público, autores e produtores. Hoje, qualquer pessoa pode ter um blog. Estas páginas se constituíram em um espaço alternativo de informação e discussão, em que anônimos e profissionais consagrados passaram a expor seus pontos de vista e informações diferentes das veiculadas na imprensa tradicional. O conjunto de todos os blogs, conhecido como blogosfera, tem entre 14 milhões e 20 milhões de páginas. Isto demonstra que cada vez mais o espectador deixou de ser um agente passivo.

A partir dessas mudanças, os grandes meios de comunicação se viram obrigados a reagir, já que a circulação de jornais e revistas vem caindo no mundo todo, devido a migração dos leitores e das receitas publicitárias para a internet. Em poucos anos acompanhamos a criação e constante adaptação de portais de informação das grandes empresas de comunicação do Brasil. Designs e tipos de textos foram testados, blogs de colunistas foram “linkados” aos portais, espaços para conteúdo colaborativo e interação do público para trazer os internautas para os veículos, incorporação de informações em áudio e vídeo, além das tradicionais fotos, para complementar os textos. Tudo com o objetivo de se moldar a esse novo meio.

Porém, na última campanha publicitária do portal do Estadão lançada em outubro vemos que a ultrapassada mentalidade que informação de qualidade só pode ser produzida por profissionais ainda é verdade para os jornalões. A estratégia utilizada para valorizar o conteúdo do portal foi desqualificar os blogueiros. No comercial para TV eles foram retratados como macacos que copiam textos da internet e nas peças impressas, como nerds ociosos. Os blogueiros, ofendidos com essa preconceituosa campanha, geraram um movimento na internet contra o Estadão e um deles produziu um vídeo resposta que circula na rede.

Assim como a igreja católica perdeu o poder de detentora do conhecimento no passado, as grandes empresas de comunicação precisam se livrar da idéia de que são as únicas fontes de informação da sociedade.

Veja as três peças da campanha impressa do Estadão:

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