a era da comunicação com a internet

É inegável que a tecnologia caminha junto com os interesses capitalistas. Os transportes, as linhas de produção, os artefatos de guerra, entre eles a bomba atômica e finalmente os computadores são alguns indícios dessa relação. Mas, a tecnologia acaba por propiciar fenômenos que fogem ao controle do sistema. Da mesma forma que no século 15 a tipografia foi um marco na difusão de informações na sociedade, graças à possibilidade de produção de livros em massa, hoje, a internet novamente revoluciona, democratizando ainda mais o acesso a informação e subvertendo a relação fixa de consumidores e produtores.

Na rede, é possível produzir e distribuir toda forma de produção cultural, da informação ao entretenimento, bem como acessá-los de forma gratuita. Essa liberdade conquistada por meio de uma produção cultural descentralizada e diversificada, também provoca uma nova relação entre público, autores e produtores. Hoje, qualquer pessoa pode ter um blog. Estas páginas se constituíram em um espaço alternativo de informação e discussão, em que anônimos e profissionais consagrados passaram a expor seus pontos de vista e informações diferentes das veiculadas na imprensa tradicional. O conjunto de todos os blogs, conhecido como blogosfera, tem entre 14 milhões e 20 milhões de páginas. Isto demonstra que cada vez mais o espectador deixou de ser um agente passivo.

A partir dessas mudanças, os grandes meios de comunicação se viram obrigados a reagir, já que a circulação de jornais e revistas vem caindo no mundo todo, devido a migração dos leitores e das receitas publicitárias para a internet. Em poucos anos acompanhamos a criação e constante adaptação de portais de informação das grandes empresas de comunicação do Brasil. Designs e tipos de textos foram testados, blogs de colunistas foram “linkados” aos portais, espaços para conteúdo colaborativo e interação do público para trazer os internautas para os veículos, incorporação de informações em áudio e vídeo, além das tradicionais fotos, para complementar os textos. Tudo com o objetivo de se moldar a esse novo meio.

Porém, na última campanha publicitária do portal do Estadão lançada em outubro vemos que a ultrapassada mentalidade que informação de qualidade só pode ser produzida por profissionais ainda é verdade para os jornalões. A estratégia utilizada para valorizar o conteúdo do portal foi desqualificar os blogueiros. No comercial para TV eles foram retratados como macacos que copiam textos da internet e nas peças impressas, como nerds ociosos. Os blogueiros, ofendidos com essa preconceituosa campanha, geraram um movimento na internet contra o Estadão e um deles produziu um vídeo resposta que circula na rede.

Assim como a igreja católica perdeu o poder de detentora do conhecimento no passado, as grandes empresas de comunicação precisam se livrar da idéia de que são as únicas fontes de informação da sociedade.

Veja as três peças da campanha impressa do Estadão:

estadao1pld3.jpg

estadao2pav0.jpg

estadao3pgr5.jpg

~ por cyntiacalhado em Dezembro 3, 2007.

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