militância cibernética
A tecnologia geralmente está vinculada aos “gadgets”, tranqueiras eletrônicas lançadas em grande escala e consumidas avidamente. Uma infinidade de máquinas, das quais somos dependentes, mas sem as quais viveríamos tranquilamente. No entanto, muitos esquecem que a tecnologia e política também andam juntas.
Jornais, panfletos, rádios e manifestações culturais, como grafites e teatros foram utilizados por muito tempo para ações sociais. No entanto, a possibilidade de circular informações no meio imaterial sem, necessariamente, a mediação das corporações monopolistas e agências de notícias e a multiplicação de computadores com acesso fácil a internet, permitiu o surgimento de novas formas de atividade – e militância – política. Para quem não sabe: Seattle, EUA, 1999, o movimento contra a Organização Internacional do Comércio. Dali para frente, a internet se tornou um novo suporte para o que ficou conhecido naquela época como midiativismo.
Para John Downing, o termo mídia radical refere-se à “mídia – em geral de pequena escala e sob muitas formas diferentes – que expressa uma visão alternativa às políticas, prioridades e perspectivas hegemônicas”. Neste sentido, os Centros de Mídia Independente são uma poderosa ferramenta. A atividade do Exército Zapatista Nacional (EZLN), cujo porta-voz é o Comandante Marcos, foi o maior e melhor exemplo disso. Organização social, ausência de lideranças, novas maneiras de divulgação da informação e confluência de mídias. No ano passado, os inssurgentes de Oxaca também aproveitaram os blogs e sites para divulgar manifestos, rádios, fotos e vídeos. Aqui no Brasil, o movimento estudantil absorveu bem a idéia, como nas ocupações das reitorias da USP, e na mais recente, pelos estudantes da PUC-SP, apresentando o movimento, motivos, causas e denunciando ataques recebidos.
Política também se faz, e muito bem feita, pela internet. E por que não? A internet é uma rede e, portanto, permite a construção de informações sem hierarquia, em sentido horizontal, por todos os usuários indistintamente. Da utilização do ciberespaço como novo suporte, surge uma nova percepção da realidade. Transforma-se também a relação homem e tecnologia, em especial com a alteração da mediação do corpo, já que a atividade política não exige mais apenas a presença física, mas uma atualização virtual da realidade. Relembrar o passado e pensar no futuro é uma boa forma de alterar a esfera pública de luta pelos direitos sociais e de dar uma dimensão ainda maior para esta ferramenta que permite a você a leitura deste texto. As ações do EZLN continuam atualizadíssimas no site, vale a pena conferir.


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